TEXTO:
"QUATRO COMPANHEIROS DE CASA"
- O Medo, a Insegurança, e a Desconfiança vão de mãos dadas pela rua, tentando chegar a casa seguros.
- Pensam no dia que passou, pensam com quem se cruzaram, pensam em quem lhes teme.
- O Medo relembra a surpresa, terrivelmente feliz com os seus olhos negros.
- De seguida, na esquina cinza, a doença, uma velha enrugada.
- Mais tarde o mar, aquele enorme e infinito ser que lhe suga o ar todo.
- E termina o seu pensamento vazio, esquecido como aquele mendigo que o olha cego na rua.
- A Insegurança ia igualmente calada. Tremia com a memória da prisão, pobre criatura de ar severo acorrentada ao chão.
- Relembrava ainda o homem mal-disposto que lhe negava passagem nas encruzilhadas em que estava.
- Mas não chegava. Pensava mo orgulhoso e egocêntrico bem-te-disse que a rondava com ar galante.
- E o dia dela só terminou com o selvagem a saltar para o meio do passeio, pedindo aceitação.
- A Desconfiança ia cabisbaixa. Naquele dia ela avistara o olhar da rua, empoleirada no parapeito com ar conservador.
- Lembrava também os gémeos multiplicados por mim que impediam a grande avenida.
- O pior de todos, foi esperar na interminável fila, para ouvir o seu veredicto cindo daquele homem de cabelos enrolados,
- Mas o seu dia so terminou na presença de um miúdo de palmo e meio, sozinho e isolado.
- “Que dia terrível”- disseram em uníssono.
- Já se via a porta de casa, a luz acesa e o fumo saindo da chaminé. “Ele já chegou”- disse o Medo.
- Abriram a porta: “Chegamos”- disse a Insegurança. “Boa, venham jantar!”- respondeu uma voz.
- Já todos sentados, a voz disse: “Como foi o vosso dia?”
“Terrível”- respondeu a Desconfiança com orgulho. “E o teu?”
“Fantástico, obrigada.”
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